quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Maior Abandonada


Mais uma daquelas cenas de filmes em que a mocinha desesperada implora pelo amor do que ela pensa ser o mocinho mas nao passa de um canalha fingido.

Foi mais ou menos assim que eu me senti domingo retrasado, sentada no escuro, assistindo filme deprimente e mandando mensagem dizendo: "Eu nao ligo se voce me ama ou nao, eu soh preciso de carinho, fica comigo, nao va".
Daria ate samba, mas melhor que isso, Cazuza ja cantou meu desespero.

Eu implorei para ele me ver mais uma vez, e ele me viu, me beijou, abracou, e eu me senti confortavelmente calma nos bracos dele. Ate que acabou de vez e eu sabia que aqueles seriam os ultimos toques.

Sem pai e nem mae, nem amigos intimos, sozinha no quintal da frente. Eu o embrulhei com o meu cobertor cuidadosamente, mas pedindo um carinho e uma protecao. Abandonada, largada, destrocada frente a um cara que nao poderia me dar amor.

Pra ser sincera eu nao preciso de amor, nao por enquanto, e eu realmente estava bem com essa ideia de mais uma relacao vazia. O que eu nao sabia eh que ele ama a ex. Ate nao me amar tudo bem, amar outra pessoa ja eh muito. Isso eu realmente nao aceito, nao sou nenhum botao "delete", nao posso ser usada pra fazer ninguem esquecer de ninguem!

Acho que eu, pela primeira vez, cansei de ser solucao para os problemas dos outros. Quero um relacionamento com todo mundo resolvido! Ano passado eu tambem fui trocada pela ex, agora eu fui trocada pela LEMBRANCA da ex (q por sinal terminou com ele ha um ano para ficar com o amigo dele, que era o cara que ela estava traindo o meu ex, isso depois de ser a segunda traicao perdoada) . Isso ja esta virando piada, sera que o destino pode me explicar o que ele quer de mim? Sera essa a minha funcao? Salvar os meus namorados? Transforma-los em melhores pessoas para as suas proximas namoradas? Faze-los sem encontrarem? Mostrar-lhes quem eles realmente amam?
Sou a versao feminina do Chuck (nao o boneco assassino - mas ate que nao seria ma ideia) , sempre que me apaixono e depois termino o garoto comeca a namorar o amor da vida dele.

Tragicomedia da minha vida. Ouvir tres "I love you", ouvir que o que o chateia eh o fato de eu nao querer casar com ele e depois eu ouco "todos os seus defeitos soh me fizeram sentir mais falta da minha ex. Eh ela que eu amo e sempre amei, e eu nao te amo e nao vou te amar". Soh que eu nao pedi amor, eu soh pedi carinho e respeito. Confusao? Nao, eu me perdi nessa, nao sei nem aonde fui parar.

Meu amor um dia vai chegar e nao vai ser antes dos 30. Nao me preocupo com isso agora, soh quero paixao, carinho, respeito. Eu nao quero a eternidade agora. Eu nao quero profundidade. Eu quero ir embora daqui ano que vem sem ter que deixar o meu coracao em terras norte-americanas.

O que eu quero eh o que eu tive esses ultimos tempos, mas sem as brigas. As mentiras sinceras me interessam, eu estava feliz com um eu te amo tao real quanto as fantasias que eu me encontro antes de dormir. O pouco que ele poderia me oferecer era suficiente para mim que nao exijo mais que migalhas. Por enquanto.

O que eu quero eh nao lembrar.






quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Descanca, coracao!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E Álvaro de Campos a me escutar

Não sei o que eu estou sentindo, é uma tristeza, uma dor, uma vontade de solidão por medo da solidão. Um medo que me apareceu bem de repente e que me dominou durante todo o fim de semana.
É o medo que eu tenho de me apegar, desde o começo do blog, desde meados de 2007, eu só entro em relacionamentos que eu sei que não vão durar, mesmo tentando e crendo arduamente que serão para sempre.
E então vem o destino e me joga novamente em um relacionamento com prazo de validade curto. Não o apresentei ainda, mas estou namorando um garoto que eu conheci em um site de relacionamentos (é comum isso aqui). Ele é tudo o que eu gosto, mas ele é muito maduro, ainda que vezes infantil. Ele, assim como eu, viveu demais em seus vinte e poucos anos. Isso nunca me assustou, mas agora sim, ouvi alguns "I love you" que eu não consegui reproduzir. Tenho sentimentos por ele mais fortes do que eu tive por qualquer cara que eu fiquei dois meses juntos. Acampo na casa dele durante o fim de semana, participo de almoço de família, tenho uma vida de namorada mais intensa do que tive em meus longos namoros. Comparo para mostrar como as situações são diferentes, talvez não seria assim se eu estivesse na minha vida unespiana, talvez seja assim porque eu não sou mais uma adolescente. Talvez seja eu não querendo crescer e por isso a minha confusão! Desconfio que eu tenha complexo de Peter Pan apaixonado, deixando a Wendy ir embora porque ela quer crescer, vou ser um peter pan deixando wendys voltarem para casa.
Eu não quero ser gente grande ainda! Não estou preparada para relacionamento com tamanha seriedade como eu estou tendo com ele, e também tamanha sinceridade. A gente se escancara, jorramos segredos, medos, vergonhas, fatos, tudo é exposto durante nossas conversas com corpos colados. Choro. Muito! Sofro desidratação sempre que eu falo da minha vida no Brasil, dos meus amigos, da minha família, do que eu sinto falta, do que me dói e eu não exponho.
Gosto daqui, mas não o suficiente, não quero dizer isso a ele, mas ele é como eu. Lê nas entrelinhas, vê além do que se é exposto, ele já percebeu que eu não sou uma American Fan. Não é minha culpa, eu valorizo a minha cultura, minhas músicas favoritas são as brasileiras, literatura brasileira é a minha paixão, Língua Portuguesa é o que eu domino(/ava).
Sinto muito por estar mais uma vez confusa sobre o que eu quero, sobre meus sentimentos, sobre meu coração. A minha dúvida da vez é: será que eu sou capaz de viver um intenso relacionamento que acabará mais rápido que o meu pacote de m&m's?
Achei que seria fácil incutir minha filosofia "CARPE DIEM" nesse romance, mas não. É difícil brincar com o coração. Ele não sabe brincar de amar.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
...
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra."

Álvaro de Campos em Tabacaria me contou o que eu já sabia, eu não creio em mim, eu não tenho certeza sobre nada. Nada!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

perdidos

Achei esse texto criado no final de junho, mas que ainda eh pertinente. Eu e o arquivo estavamos perdidos, agora soh eu estou.

Tão Longe De Tudo
Barão Vermelho
Composição: Guto Goffi

Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina

Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída

Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém pra fugir,
sem avisar ninguém

Não vou olhar pra trás
A saudade está morta
E já não me importa
Está longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Longe demais de tudo
Eu estou longe demais
Tão perto de mim
Tão longe de tudo


Living On My Own (tradução)
Queen
Composição: Freddie Mercury

Vivendo por mim mesmo

Às vezes eu sinto que eu vou ceder e chorar(tão
Solitário)
Nenhum lugar para ir, nada para fazer com meu tempo
Eu fico solitário, tão solitário que vivo na minha

Às vezes eu sinto que eu estou caminhando muito rápido
E tudo está desmoronando em mim
E vou enlouquecer, tão louco vivendo minha vida

Dee do de de dee do de de
Eu não tenho tempo para enrolação
Dee do de de dee do de de
Eu fico tão solitário, solitário, solitário, solitário yeah
Quero ter algum tempo bom adiante

Às vezes eu sinto que ninguém me dá uma advertência
Encontro minha cabeça sempre nas nuvens no meu mundo de sonhos
Não é fácil viver na minha

Dee do de de dee do de de
Eu não tenho tempo para enrolação
Dee do de de dee do de de
Eu fico tão solitário, solitário, solitário, solitário yeah
Quero ter algum tempo bom adiante

Dee do de de dee do de de
Eu não tenho tempo para enrolação
Dee do de de dee do de de
Eu fico tão solitário, solitário, solitário, solitário yeah
Quero ter algum tempo bom adiante



Nunca pensei que eu estaria em dúvida entre duas músicas para falar o que eu sinto. Eu sempre escrevo baseada na música que salta sobre mim, hoje o tema veio primeiro e as músicas depois. Solidão.
Não falo de Solidão de ermitão e nem de Dom Casmurro. Falo de solidão de ausência de quem se ama. E de quem um dia vou amar. Um amigo me disse que me exponho demais nos meus textos, é verdade. Me exponho demais na vida. Eu me entrego, me jogo, me deixo largada e destrancada como um diário sobre a cama. Quem quiser me saber, basta me ler.
Estou longe demais de tudo, estou longe do colo dos meus amigos, longe de um porre bem tomado pra distrair os problemas. Da última vez que pessoas que eu gostava me decepcionaram, eu tinha pessoas que eu gostava pra me segurar. Agora, eu tenho a mim mesma pra me estender, e estou fazendo isso incrivelmente bem. Não. Assustadoramente bem. Acho que eu me perdi em algumas das desilusões em territórios americanos. Às vezes penso que isso é bom, porque perder minha carência excessiva e minha sensibilidade sem fim seria vantajoso para não ser tudo tão doloroso. Mas às vezes me pergunto quanto da minha personalidade vai nisso. E quanto menos Estela eu estou me tornando. Sempre defendi que todos tem o direito de serem como são e amizade serve pra entender que assim como você tem problemas, o seu amigo também tem. E compartilhar e entender isso é o que torna a amizade o mais belo amor. E agora tentando me mudar eu não estou vendendo a minha ideologia em troca de pessoas que gostem mais de mim?
Impasse.
Definitivamente estou me desmoronando. O tempo é que dirá se desmoronei e serei nada mais que entulho, ou se me desmontei para inserir um novo conhecimento e agora sou uma peça nova, como naquela teoria da psicologia da educação. E quem se entorta? Eu ou a colher?

Esse meu exílio voluntário está me ensinando o que eu há tanto tento aprender. Me diz o que eu relutei a ouvir. Por estar tão longe demais de tudo e de todos, eu me afastei mais ainda para estar agora, mais perto de mim. E se tudo der certo, eu me acharei, pra depois me perder de novo, pois é esse o ciclo. Não posso me saber sempre, ninguém se sabe.

Tantas vezes surpreendi a mim mesma.

Não posso enlouquecer por me ser, mas posso me aceitar, me respeitar e pedir que se não gosta de mim e da minha perspectiva, por favor, fique longe de mim, não se aproxime se não consegue lidar com o diferente.

Vivo no meu mundo, minha mente é o meu playground. Sonho vários sonhos, planejo o impossível. Planos são sonhos de gente crescida. Sonhos concretizados são realizações. Tudo nome sério para não darem o braço a torcer que o bom da vida é ter um mundo que você criou só pra você e seus desejos mais gostosos. Lá, tudo pode acontecer.



Nosso Lindo Balão Azul

A Turma do Balão Mágico
Composição: Guilherme Arantes

Eu vivo sempre no mundo da lua.
Porque sou um cientista
O meu papo é futurista
É lunatico
Eu vivo sempre no mundo da lua
Tenho uma alma de artista
Sou um gênio sonhador
E romantica
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou aventureiro
Desde o meu primeiro passo
Pro infinito
Eu vivo sempre no mundo da lua
Porque sou inteligente
Se voce quer vir com a gente
Venha que será um barato
Pega carona nessa calda de cometa
Ver a Via-Lactea, estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde numa nebulosa
Voltar para casa nosso lindo Balão azul


sábado, 19 de setembro de 2009



" Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."
Clarice Lispector


Eu não preciso falar, ela fala por mim. Ontem mesmo quando fui pagar minha conta eu contei o meu dinheiro em Português e foi muito engraçado porque eu fiquei me sentindo culpada por isso. Agora minha culpa se foi!
Saudade dos meus amores que se foram não sinto, a vida passa e com ela vão se os amores e desamores. Mas como sinto saudade do que não vi. Mas não sinto saudade do que não aproveitei porque eu sei que eu fiz de tudo pra poder aproveitar todas as oportunidades. Se não aproveitei não foi porque me poupei.
E ah! Como sinto saudade do meu cachorrinho, único, que tive. E amei com td o amor que se tem desde criança até adulta. Meu amor cresceu com ele, minha capacidade de amar se desenvolveu junto com ele. Feliz sou em não ter morrido também ano passado quando comecei a descobrir as peças que as relações nos pregam.

"Miss you" não é suficiente, não é o mesmo que saudade. "Miss you" não dói.


sábado, 15 de agosto de 2009

Garota eu fui pra Califóó--óórrniiaa...

Eu não sei como não seria possível ficar extasiada vendo seus sonhos se realizarem como se uma conjunção astral e movimentos do universo fizessem tudo ficar à sua disposição com até que uma certa facilidade (depois).
Parecia filme, tudo errado, pessoas cancelando a viagem em cima da hora, a certeza de nada senão a data das férias marcadas, dinheiro escasso, passagens já caras e um desespero latente. Eu iria viajar na sexta, segunda cancelaram comigo, decidi ir sozinha. Tava mais que na hora de eu fazer aquele mochilão do jeito que eu sempre sonhei. Claro que a Drama Queen aqui surtou, três dias pra planejar tudo? Seriam quase dez dias por toda a Califórnia, sozinha no Estado mais perigoso dos EUA. Tá, vamos em frente.
Deus colocou tudo certinho para mim, a mãe da minha host estava aqui em casa e meu uma lista com nome e telefone de pessoas que poderiam me ajudar caso eu estivesse em apuros. A irmã da minha host me ofereceu casa e companhia para ir pra Disney, a minha amiga Natália falou que eu poderia ficar na casa dela em San Diego, amigas indicaram hostels bons pra eu não correr o risco de pegar bed bug de novo (bed bug eh um maledeto de um percevejo que se esconde nos colchões e paredes e suga seu sangue enquanto você dorme, essa praga não morre e procria mais que coelho. Como sou alérgica estou cheia de cicatrizes dessa porra desse bicho, blaaaaaa).
Os preços das passagens estavam aburdos, e eu estava assustada com isso, mas por coincidência, no dia que eu saí da churrascaria Brasileira que fui domingo vi umas pessoas com malas na estação de trem. Perguntei para minha amiga que mora aqui se esse trem fazia viagens longas, pois eu tinha certeza que era tipo um metrô, foi aí que ela me informou que fazia viagem até pra Califa. Na hora eu achei interessante para fazer uma viagem para outro lugar, eu nem sabia que tudo estava caminhando no dia seguinte para um master plan e não para o meu plano.
Segunda mesmo, à noite, comprei minhas passagens, ida de trem e volta de avião e já comecei a virar as madrugadas na internet fazendo reservas e pesquisando maneiras de sobreviver sozinha. Não sou totalmente inesperiente porque querendo ou não eu sempre planejei as viagens, pelo menos pra usar como socorro.
Minha host me deu mais um dia de férias, porque a passagem da quinta é mais barata e ela também me levou para a estação. A minha amiga Katie me emprestou a supermochilademochileiro dela, uma roxa enorme ao invés da minha cinza que não caberia nem meu pensamento. Não, não tive "$uporte" para comprar uma nova.
Embarquei para uma viagem de 33h dentro de um trem com poltronas reclináveis, o que não significa "deitáveis". Foi uma das minhas melhores opções! Passei 33h com o meu notebook assistindo FRIENDS, dormindo, acordando, mandando sms, conectando a internet via celular, vendo o cenário de Thelma and Louise, assistindo a mudança de paisagem de montanha para litoral enquanto atravessava 4 estados (Colorado, Utah, Nevada e Califórnia).
Ouvi tantas vezes que isso era um programa de índio, mas definitivamente foi a coisa desconfortável mais legal que eu já fiz. Aliás, interessantemente as coisas mais legais são as mais desconfortáveis. Quebrar padrões machuca, mas é prazeroso.
Depois de seis meses trabalhando direto, ainda mais com o tão cansativo verão, nada mais importante que dormir. Eu levei um cobertorzinho cor-de-rosa que só não foi melhor companheiro de viagem que o meu cachorrinho de pelúcia da STB (ele é um ótimo travesseiro, suportou meu pescoço nas quase 20h de vôo SaoPaulo-Denver). Acho que aí se encontra a minha dicotomia, ou mais uma parte dela.
Ainda no trem encontrei a primeira pessoa made-in-brasil da viagem, uma carioca que me ajudou com dicas, transporte e até mesmo ofereceu estadia. Pessoa incrível! Ela foi um sinal de que essa era pra ser mesmo a viagem dos meus sonhos e que era para eu relaxar e nao desesperar tanto. Se bem que depois que eu embarquei eu perdi mais da metade do medo.
O outro sinal foi o motorista do ônibus só tendo eu como passageira e uma preguiça do tamanho da tal ponte de São Francisco, me deixar a um quarteirão do hotel só pq não queria dirigir no trânsito próximo ao ponto final. Salve a preguiça! Se não fosse por isso, eu teria que andar mais de 10minutos para chegar ao hotel.
Chegando no hotel, a maré virou, um hotel fulera, caro, e que não estava funcionando a única coisa pela qual eu estava pagando a mais... a porra do ralo estava sem a tampa. Tá, respira, conta até três, toma banho, se troca e vá à caça do alimento no mercado mais próximo. Comida pré-pronta para colocar no microondas do meu quarto. Sem banheira mas com microondas, troca tolerável. Fico feliz em saber que será só uma noite no segundo andar com a janela sem trinco e uma acessível escada de incêndio... muito acessível de baixo pra cima, a propósito. Confesso que se não fossem as 33horas de poltrona, eu não dormiria tão bem.
Fim do primeiro dia de Caliórnia.

sábado, 18 de julho de 2009

Sorria meu bem, sorria.

Porque não se explica o sentimento. Porque o que se passa aqui dentro não tem nome e nao tem solução, só aguarda a ida, uma hora se dissipa. Vai-se embora como chegou. Easy come, easy go. Espero que Fredie esteja certo, porque se estiver, em uma semana eu perco esse sentimento que me tonteia. Só preciso parar de lembrar o que eu quero escrever pra esquecer.
Dia todo juntos, brincadeiras de mão inocente, companhia interessante, sorrisos. E eu me perguntando porque tantos momentos juntos e nenhum beijo. Diferenças culturais de aproximação que pela primeira vez senti e apesar de preparada ainda não aceitava. Eu queria sim beijar aquele sorriso, eu queria o riso dele soando em mim. O orgulho de novembro não me deixava dar qualquer passo e mais ainda, a experiência de carregar o esteriótipo de brasileira me orientava para não beijá-lo primeiro. Aah! como me segurei, ainda que com proximidade de rosto, sorriso. Ah! Por que eu estou prestando tanto atenção em um sorriso?! Será essa a metáfora do tempo que passamos juntos? Diversão e conforto!
Dividindo cobertor em um cubículo e continuando com a brincadeira de roubar celular para deletar as fotos indesejadas, rimos muito. Ele segurando minhas mãos para cima para que eu não alcançasse o celular e eu contando repetidamente até três, fingindo reunir forças para me livrar dele. Conto mais um vez, e aviso que essa seria minha última contagem. Fecho meus olhos, um, do... beijo acontece. Não lembro de um beijo tão romântico, com tanta sincronia, com tantos abraços e tão esperado quanto esse foi.Continuamos a nos beijar até a hora que o sono nos derrubou, dormindo em um barraca, com um saco de dormir, um cobertor, uma lua cheia e um sorriso. Tirando o sorriso e a lua, nada mais seria melhor se fossem dois.
Carinho e paixão na medida que eu preciso para passar semana inteira pensando no fim-de-semana.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Só apareço quando me convém.

Tive mais uma recaída, por necessidade de curar essa minha carência que parece persistir mais do que eu posso aturar. Me convinha aparecer para ele naquele momento, deixei pistas de que o queria e que seria nada mais do que físico. Eu odeio o fato de me sentir bem perto dele, de poder ignorá-lo todo e tempo e ainda assim agir depois com normalidade e ser aceita sem rancor. Torna difícil manter-me longe. Somos dois perdidos que se acham no mesmo propósito, a vontade. Temos nosso próprio código, uma dança secreta, movimentos sincronizados que parecem apenas integração aos olhos de todos mas significa muito mais para nós. Cada passo é seguido pelo outro com intensidade, com carinho escondido, com efeito devastador no meu coração. Eu sei que ele não fica ileso aos meus atos. Me convenço. Ainda que sobre o efeito do álcool, eu tinha total noção da imposição nos detalhes. Jogamos. Conversamos. Rimos. Desaparecemos. Nos aparecemos. Estavamos à vontade para nos sermos novamente e totalmente. Nada realmente importava para nós, ninguém para opinar ou brigar. Nada além de dois. Duas pessoas em uma sintonia absurda que não era para fazer sentido conforme tudo o que se passou. Aí está o que me encanta, a falta de sentido, o excesso de detalhes.Isso não é estar apaixonada? Não. O meu estar apaixonada engloba muito mais do que isso. Agora é algo de carência mesmo, ele que supre o que me falta. Tenho intimidade e conhecimento suficiente sobre ele para saber que a paixão passou e não está mais entre nós. E nem preciso de tom funebre para dizer isso. Agora. Acabou o fluxo de consciência, a tentativa frustada de nos compreendermos. O entendimento vinha da falta de compreensão. Vinha da linguagem sem palavras, a corporal. Toda a conversa que tivemos previamente ao contato foi baseada na frase: Desabafe. Ele queria saber se eu estava bem com todos os acontecimentos que se sucederam recentimente e que não tinha a ver com ele. A conversa foi sobre mim, sobre meu bem estar, e não sobre nós. Sobrevivemos sem o nós, e é tão bom. Antes de me dissipar, propositalmente esqueci com cuidado na escolha, um dos meus anéis próximos a ele. Joguei um jogo que eu não estou acostumada a jogar. Quatro dias depois informei ao meu amigo que perdi o meu anel na casa dele, local da festa, ele procura e mais dois dias me informa que aquele garoto de posição sempre não-me-importo-com-o-mundo está com o meu adorno. E não comentou sobre devolver. Digo para dizer que não me importo. Pode ficar, aquele aro de metal não vale o preço de saber que ele se preocupa. O anel que eu te dei era de latão e desbotou. O amor que eu lhe tinha era pouco e se acabou. Mas a lembrança, ah! Essa eu quero que fique por um bom tempo em mim e mais tempo ainda nele. Tenho a certeza que ainda que pouco, algo de mim lhe restou. Assim como a mim.
Acho que agora esse sim é o fim desse capítulo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

No deserto


Há algumas semanas eu fui escalar algumas dunas, pra chegar no ponto mais alto. O que dava uma caminhada de uns 8km e eu fiz em uma hora pq eu sou do tipo que falo e ando rápido por ter pressa em fazer tudo antes do fim (in)esperado da vida. Lógico que nao teria nenhuma música mais latente do que Catedral de Zélia Duncan. Ela faz parte das músicas que mexem comigo sem eu saber porque, mas depois eu descubro que tem um significado incrível. O que importa é que eu andei sozinha esses 8km, mesmo havendo mais pessoas fazendo o mesmo que eu, nenhuma eu conhecia. Andei a caminho do pôr-do-Sol, foi lindo vê-lo descendo enquanto eu subia, parecia que havíamos combinado de nos encontrarmos no topo, nos alinhando. Eu não conseguia descrever o que era mais mágico em tudo aquilo. Eu pensei em desistir dois zilhões de vezes, eu estava certa de que teria um ataque cardíaco e que meu pulmão não daria conta de puxar todo o oxigênio que meu cérebro precisava. Lá eu materializei o que as pessoas diziam sobre a altitute. Apesar da Duna ter apenas 100m de altura, eu estava a 2500m do nível do mar. Um kilometro a mais do que estou acostumada aqui nos EUA. Dois do que eu estou acostumada no BRasil.Me joguei de joelhos, engatinhei, parei a cada dez passos, pensei em desistir, resisti. Percebi que o que eu gosto definitivamente é de um drama, eu sempre penso que vou abandonar, toda vez que a coisa aperta eu reclamo reclamo e no final completo o que eu propus a fazer. Odeio desistir, mas sou chatamente reclamona.Drama Queen coroada por unanimidade.Isso foi o físico, mas o que se passou no psicológico não tem igual, eu tive uma revolução, meu momento epifânico ocorreu nesse cenário incrível. A caminho do topo eu não pensei em muita coisa além da minha capacidade de querer, mas nao desistir. Talvez eu estivesse limitada por falta de O2 pra fazer sinapse, mas no topo, quando cheguei e depois de 5 minutos quando me achei completamente sozinha como um resumo da condição humana, percebi alguma coisas sobre mim. Sou mais forte do que eu imaginava, sou de fato expontânea e definitivamente eu só faço coisas assim pq eu gosto, mas não quero transformar isso em um esporte e sim em uma busca por desafios.Lá perto do céu, eu admirei Deus. Imagine o cenário: montanhas, neve, rio, deserto, dunas, céu azul, Sol se pondo e eu. Como não agradecer a Deus, primeiro por ter saúde para estar lá, órgãos e membros funcionando. Segundo, estar em um lugar que há essas coisas, ter a possibilidade e recebido a coragem de vir para cá e terceiro, por Ele ter feito tudo isso. Grande desenhista.
Na volta, que durou 20minutos pois para baixo todo santo ajuda, eu achei os aspectos que me incomodam em minha vida e achei como resolvê-los. Antes de descer totalmente, no meio do caminho, eu parei para pensar e deixar lá as coisas que me incomodam. Muitas delas relacionadas a paixão que eu moldei por um cara aqui nos EUA e também as questões de relacionamento humano não-sexual (amizade e afins). Pensei em muita coisa e decidi que de fato eu preciso mudar algumas coisas em mim, desculpa, não o que incomoda nos outros, mas o que me incomoda.
Ainda vou continar enchendo muitos sacos por aí, sendo grossa e estúpida por ser essa a maneira que acho de não digerir as idiotices que sou vejo. Regurgido atos infâmes em forma de grosseria.
Quanto à música, foi uma bela metáfora para explicar que eu estava tão focada em uma coisa que eu não pensei nas outras coisas. É algo como aquele proverbinho de malhação: se vc fica chorando porque o Sol se foi não pode ver as estrelas. Ou qualquer coisa assim."Nem pude ver que o céu é maior". De tanto me lamentar por um carinha que não vale muito mais do que uma pipoca molhada, eu perdi a chance de comemorar as oportunidades diferentes daqui. Quem mais escalou uma montanha enquanto havia música ambiente (a banda Brightwood, estava gravando um clipe la e eu ali...vendo e depois ouvindo enquanto subia), Blink 182 - minha banda internacional favorita durante a adolescência voltou esse ano que eu estou aqui e ainda vão tocar a 20min da minha casa. Neve, esqui, patinação no gelo, inglês tempo integral e a oportunidade de viver em um filme sem legendas.
Quem disse que eu preciso de alguém pra não me tratar bem se tenho uma vida tão legal com pessoas tão incríveis que me amam?

"Meu coração é secular, sonha e desagua dentro de mim"


Catedral

Zélia Duncan

Composição: Tanita Tikaran; versão: Zélia Duncan
O deserto que atravessei

Ninguém me viu passar

Estranha e só

Nem pude ver que o céu é maior
Tentei dizer

Mas vi você

Tão longe de chegar

Mais perto de algum lugar
É deserto onde eu te encontrei

Você me viu passar

Correndo só

Nem pude ver que o tempo é maior
Olhei pra mim

Me vi assim

Tão perto de chegar

Onde você não está
No silêncio uma catedral

Um templo em mim

Onde eu possa ser imortal

Mas vai existir

Eu sei, vai ter que existir

Vai resistir nosso lugar
Solidão, quem pode evitar?

Te encontro enfim

Meu coração é secular

Sonha e desagua dentro de mim

Amanhã, devagar

Me diz como voltar
Se eu disser que foi por amor

Não vou mentir pra mim

Se eu disser deixa pra depois

Não foi sempre assim
Tentei dizer

Mas vi você

Tão longe de chegar

Mais perto de algum lugar

terça-feira, 26 de maio de 2009

O resultado disso é solidão

Meu penúltimo post foi premonitório (Sentada à noite na porta da rua/Eu sou menina/Sentado comigo na porta da rua/Ele é menino/.../Vem comigo e esquece/Este drama ou o que for/Sem sentido) . Tão bizarro quanto meus sonhos com ondas gigantes que avançam sobre mim, e pela primeira vez - durante o sonho - eu consegui me desvencilhar delas mergulhando. Geralmente, nos últimos sete anos, ela soh vem vem vem e nunca chega. Dessa vez chegou e eu enfrentei. Significado? Recorri à mãe, au pair orkuteira, google. Jung me informou que sonhos é o meu inconciênte se comunicando comigo - e que raios ele quer dizer? O exoterismo respondeu que significa de problemas à mudança para melhor, prosperidade E nao é que aconteceram coisas bem interessantes mesmo? Só não sei se serão boas.
Eis que os problemas apareceram. Primeiro uma briga com uma pessoa da turma, depois uma turma brigando com uma pessoa. Tudo na mesma noite. Minha melhor amiga daqui brigando com o cara que eu sou apaixonada. E ele sendo o mais idiota que qualquer um poderia ser e pessoas me tirando de perto pra eu nao quebrar a cara dele. Pelo menos descobri que sou tão autêntica que até os americanos que me conhecem a menos de dois meses já sabem que eu sou impaciente. Isso sim é ser eu mesma, e desencanada, sei que não dá mais pra mudar, meu sangue quente agora é intrísico. Minha personalidade escarceia.

Discussão vai, vem ,volta, amiga chora no banheiro, estela faz o mantra do copo d'água para evitar de jogar alguém do terceiro andar. Vou até a minha amiga, consolo, me consolam, resolvo que não vou deixar pra quase morrer de novo pra falar o que eu penso. Fui atrás dele, por mais que todos tentassem me segurar. Se as minhas palavras tomassem formas humanas seriam como se eu tivesse dado um golpe de capoeira. Cheguei pergutando com direito à dedo na cara como toda explosão deve ter: qual o seu problema comigo, o que eu te fiz? O cara me responde com a maior calma do mundo: nada, vc é uma mulher maravilhosa e... E eu corto perguntando com a emoção oposta: e por isso vc é um estúpido? Quero falar com vc. Tô te esperando lá fora. (já se passava das 3h da manhã, como passa agora...)
Ele concordou que teria que ir lá fora por ele também iria gritar e estávamos num apê. Só eu gritei, baixo, juro que gritar é algo muito mais de atitude que de decibéis. Sentada na calçada, à porta do prédio, falei sobre tudo. Falei que gostava dele, mas q ele era um idiota. Ouvi que eu era perfeita, que ele gostava de mim, mas não dá pra ficarmos juntos porque a gente só briga. Verdade. E eu sublinhei, afirmei, confirmei, dizendo: não quero mais você, está acabado desde o último fim-de-semana e essa conversa não será sobre nós, será sobre o seu tratamento referente minha amiga e meu país. Vc insultou duas coisas que eu amo.
A conversa, claro, teve inúmeros trechos sobre nós. Sou bonita, ele passou um ótimo tempo comigo, sou divertida, rola química entre a gente, não pára de pensar em mim, se sente outra pessoa quando está comigo por que não consegue ser ele mesmo por se sentir pressionado, como desejando ser outra pessoa pra que possa gostar dele, realmente gostei de vc. Eu queria poder lembrar de cada detalhe do fluxo de consciência de duas horas em outra língua que tive que analisar. Esse é o lado bom de discutir com uma garrafa de vodka, vc descobre o interior, os problemas, meu lado Jung trabalhou muito bem, novamente com o inconsciente. É quase como fazer um incisão profunda, longa e anestesiada. Eu conheci o menino, eu reconheci nele um ex, eu revi um filme ruim (nada original) e vi um garoto de 23 anos inseguro, imaturo e sem destino. Ele não sabe o que quer.
E eu sei demais.
Chega.

Cenas como descer escadaria ouvindo ele me seguir, ele segurando minha mão enquanto eu falava, cabelo armado, pés desarmados, maquiagem borrada de chuva da nuvem e da alma, eu/ele sentados na calçada, eu chorando, ele se odiando por eu chorar, ele chorando e eu me adorando por ele chorar - pagou na mesma lágrima, ele perdendo a lente de contato por excesso de angústia, eu refletindo até aonde poderia ir, ele indo, eu seguindo, eu indo, ele seguindo, eu jogada, cansada, ele desejando em voz alta estar ao meu lado, eu dizendo não com o corpo, ele sabendo que era sim na mente, eu passeando pelos extremos de "amar" e odiar ao mesmo tempo em formatos de beijo e soco. Ambos não realizados, com um duvidoso ainda bem que não.

O final do drama eu contarei quando eu souber, o saldo final temporário foram duas longas horas de discussão entre eu/ele, eu chorando, ele chorando, eu sem saber, ele querendo provar o quanto gosta de mim, eu pagando pra ver, ele oferecendo a mão, eu negando, ele pedindo desculpas pra minha amiga frente a todos, ela não aceitando, eu torcendo pra que ela aceitasse, ele afirmando que só fez isso por mim, eu dirigindo pra casa, ele tentando socar o cara que ferrou nossa relação, eu tentando entender o que foi aquela noite, ele acertando o nosso amigo em comum, eu odiando por achar que ele não serve nem pra socar a pessoa certa, ele provavelmente indo dormir puto se achando o último da Terra, eu desmaiada de sono, ele some sem falar com ninguém, eu conversando com o amigo em comum sobre o comportamento que ele tem com a nossa amiga em comum, ele me odiando, eu com a certeza de que não o vejo de novo, todo mundo se odiando, eu sem dormir, eu e ele não sendo "nós".

" ...vou tentar ser bem mais competente na escolha da próxima paixão."

http://www.youtube.com/watch?v=xw9NUy961ws

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Confusion Mix

Costumo vezes ou outra, colocar o título primeiro e depois discorrer sobre o tema. Hoje eu não consegui, não veio nada porque eu não sei sobre o que vou escrever.
Sobre como estou me sentindo? Carente e confusa. Carente vai para outro tópico.
Sou uma mudança de humor ambulante desde que nasci, mas confesso que agora eu estou bem pior. Ainda sou a mesma pessoa, mas me perco em meio ao termo "aproveite o dia" que "Carpe Diem" carrega. Aproveitar é o que?
Após anos de experiência, chego a conclusão que aproveitar é ter a sorte de encontrar o equilíbrio entre a diversao e a responsabilidade. O ponto entre o presente e o futuro. É saber o que se quer e buscar (conseguir é mais além). Mas muito bonito na teoria, não sei se eu consigo/consegui colocar isso na prática.
Algumas vezes me pego feliz analisando minha vida: até agora consegui exatamente o que eu sempre quis. Detalhes bobos realizados, mimada pela vida. Tenho os meus orgulhos secretos (gritados para os íntimos) que me fazem sorrir nos momentos "comigo mesma" e também tenho minhas paranóias que nao me fazem orgulhosa: como mesmo que vai ser o futuro? E o agora, eu to agindo certo... pro futuro? Sou muito ligada nessa coisa de ação e reação, causa e consequência.
Confesso que eu vivo o presente muito bem, mas pensando no depois. Tudo que eu faço é pra depois ouvir de mim mesma: "e não é que eu aproveitei bem essa minha estadia na Terra?".
Indo pra Vegas o avião resolve dar pane na asa, o piloto diz aliviado estar feliz por não ter derrubado a aeronave e a aeromoça canta um hino agradecendo a Deus por estarmos vivos. Não sei como seria com vocês, mas isso me deu uma leve surtadinha.
Sempre achei estar preparada para a morte, mas quando ela chega perto (junto com a tal H1N1) se entende o quanto está ou não pronto pra ir. Eu me encontrei nesse aspecto agora: não quero morrer, mas se tiver que, que ao menos as pessoas que amo saibam e eu as amo. E que eu tenha tempo pra agradecer a Deus por tudo que ele me fez. Sou muito feliz, definitivamente. Por trás da oscilação entre a agitação irritante e alguns estados deprimentes, há uma Estela feliz e grata. E que definitivamente ama.

Eu avisei que estava confusa.